Geotecnologias na prática: descubra onde essas tecnologias podem ser utilizadas

As Geotecnologias estão cada vez mais presentes na rotina de diversas áreas de atuação. Mais do que ferramentas técnicas, elas representam um conjunto de métodos e tecnologias capazes de transformar informações geográficas em conhecimento estratégico para a tomada de decisão.

Ao integrar Sistemas de Informação Geográfica (SIG), Sensoriamento Remoto, Cartografia Digital e técnicas de Geoprocessamento, essas tecnologias permitem visualizar padrões, identificar problemas, monitorar fenômenos e planejar intervenções. Seja no setor público ou privado, o uso inteligente de dados espaciais amplia a capacidade de análise e fortalece a gestão.

No artigo de hoje, você conhecerá três exemplos reais que demonstram como as Geotecnologias são aplicadas na prática, evidenciando seu papel na inovação, na eficiência operacional e na qualificação das decisões em diferentes áreas.

GEOTECNOLOGIAS APLICADAS À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Nosso primeiro caso de análise refere-se ao artigo desenvolvido por Leonardo Pereira Garcia Leão, Auditor Federal de Controle Externo, intitulado Projeto Panoptes: Monitoramento das Operações de Crédito por meio de Geotecnologias e Inteligência Artificial.

Fonte: https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/article/view/2426

O artigo discute o Projeto Panoptes, uma iniciativa do Tribunal de Contas da União (TCU) que utiliza geotecnologias e inteligência artificial para monitorar de forma automatizada as operações de crédito rural e o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

O objetivo do projeto é superar as limitações históricas na fiscalização dessas operações, identificando irregularidades, fraudes e desvios de recursos públicos que envolvem bilhões de reais. Com o apoio de parcerias nacionais e internacionais, o projeto está em fases de desenvolvimento e testes, realizando provas de conceito que mostram potencial para aumentar a efetividade do controle e promover maior transparência e eficiência na gestão de recursos públicos no setor agrícola brasileiro.

Fonte: https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/article/view/2426

A metodologia emprega uma abordagem de automação por meio do uso integrado de geotecnologias, inteligência artificial, análise satelital, com foco em validação por provas de conceito, e disseminação de ferramentas abertas e reprodutíveis para ampliar o monitoramento das operações de crédito rural em escala nacional.

O projeto Panoptes prioriza o uso de tecnologias livres, gratuitas ou de baixo custo para seu desenvolvimento, evitando softwares proprietários. Por exemplo, utilizam serviços disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), imagens satelitais fornecidas gratuitamente pela NASA e pela Agência Espacial Europeia (ESA). Além disso, empregam plataformas GitHub, Kaggle e YouTube para disponibilizar e reutilizar materiais, códigos e metodologias.

O projeto foi vencedor do Prêmio Reconhe-Ser 2025, recebendo reconhecimento tanto do comitê técnico quanto do júri avaliador. A iniciativa destacou-se entre mais de 90 propostas inscritas na categoria de controle externo, evidenciando seu elevado impacto para a modernização da administração pública brasileira e para o aprimoramento das práticas institucionais de fiscalização.

 

APLICAÇÕES DAS GEOTECNOLOGIAS NA PRODUÇÃO RURAL

O segundo exemplo analisado é o livro Geotecnologias: Aplicações na Cadeia Produtiva do Leite, organizado por Marcos Cicarini Hott, Ricardo Guimarães Andrade e Walter Coelho Pereira de Magalhães Junior.

Fonte: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/handle/doc/1140771

O livro reúne pesquisas e experiências voltadas ao uso de ferramentas geoespaciais na gestão e no monitoramento da atividade leiteira no Brasil. A obra apresenta como tecnologias como Sensoriamento Remoto, Sistemas de Informações Geográficas (SIG), Geoprocessamento e Análise Espacial podem contribuir para aumentar a eficiência produtiva, reduzir riscos e subsidiar a tomada de decisão no setor.

Os capítulos abordam diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o planejamento territorial da produção até o acompanhamento de pastagens, uso e cobertura da terra, análise climática, gestão ambiental e rastreabilidade. O livro também evidencia a importância das bases de dados geográficos e das imagens de satélite para o monitoramento da produção em escala regional e nacional.

Fonte: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/handle/doc/1140771

Além disso, a obra destaca a relevância das geotecnologias no apoio a políticas públicas, planejamento agrícola, sustentabilidade ambiental e competitividade do setor lácteo. Ao integrar conhecimento técnico e aplicações práticas, o livro contribui para a modernização da cadeia produtiva do leite, promovendo inovação, eficiência e gestão baseada em dados espaciais.

 

USO DE GEOTECNOLOGIAS NA ÁREA DA SAÚDE

Nosso último exemplo refere-se ao artigo intitulado Modelagem Espaço-Temporal para Estratificação de Área de Risco de Arboviroses no Município de Natal, RN (2019–2022), elaborado por Reginaldo Lopes Santana, Luciano Pereira da Silva, Jan Pierre de Martins Araújo, Lúcio Pereira da Silva, Carlos André do Nascimento Silva, Márcia Cristina Bernardo de Melo Moura, Dennys Lúcio Pereira Barbosa, Leandro Medeiros Dantas, Rodrigo Moreira Pedreira e Isabelle Ribeiro Barbosa.

O estudo desenvolveu uma modelagem espaço-temporal para identificar áreas de risco de arboviroses, como dengue, Zika, chikungunya e febre amarela, no município de Natal, no período de 2019 a 2022.

A partir de técnicas de Geoprocessamento e análise estatística, incluindo a varredura espacial pelo método Scan, foram delimitadas 426 zonas urbanas. Essas áreas foram classificadas em quatro níveis de risco: muito alto, alto, médio e baixo.

Os resultados indicaram maior concentração de risco elevado nas regiões norte e oeste da cidade, enquanto as regiões sul e leste apresentaram menor incidência.

Fonte: https://seer.ufu.br/index.php/hygeia/article/view/77667/43009

A metodologia adotada possibilitou a identificação de áreas prioritárias para intervenção, contribuindo para a otimização de recursos da saúde pública. Além disso, evidencia a heterogeneidade espacial da transmissão das arboviroses, reforçando a necessidade de estratégias específicas e territorializadas para o controle dessas doenças.

 

Pense nisso…

As Geotecnologias não são apenas ferramentas técnicas restritas a mapas e análises espaciais. Elas estão moldando decisões estratégicas que impactam diretamente a sociedade.

Agora reflita: você está utilizando todo o potencial das Geotecnologias na sua área de atuação? Ou ainda as enxerga apenas como ferramentas para gerar mapas?

A diferença entre simplesmente usar um software e aplicar inteligência territorial está na forma como você transforma dados em estratégia.

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Anderson Medeiros

Graduado em Geoprocessamento pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB). É o autor do site https://clickgeo.com.br que publica regularmente, desde 2008, artigos dicas e tutoriais sobre Geotecnologias, suas ferramentas e aplicações.
Em 2017 foi reconhecido como o Profissional do ano no setor de Geotecnologias. Atua na área de Geoprocessamento desde 2005.

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Sobre Anderson Medeiros

Ele já foi reconhecido como o Profissional do Ano no Brasil no setor de Geotecnologias. Graduado em Geoprocessamento, trabalha com Geotecnologias desde 2005. Já ministrou dezenas de cursos de Geoprocessamento com Softwares Livres em diversas cidades, além de outros treinamentos na modalidade EaD. Desde 2008 publica conteúdo sobre Geoinformação e suas tecnologias como QGIS, PostGIS, gvSIG, i3Geo, entre outras.

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