SIG na prática: exemplo de aplicação da Análise Espacial no QGIS

Se você trabalha com QGIS, já percebeu que mapear dados é só o começo, o verdadeiro valor do SIG aparece quando você aplica a Análise Espacial. É nesse momento que o mapa deixa de ser ilustrativo e passa a responder perguntas.

A Análise Espacial permite cruzar informações, medir distâncias, identificar padrões e gerar novos dados a partir de camadas existentes. Quando você entende como funciona a Análise Espacial, seu projeto ganha consistência técnica. Você passa a tomar decisões com base em dados georreferenciados. Isso vale para diversas áreas de trabalho, por exemplo planejamento urbano, meio ambiente, logística, mercado imobiliário e gestão pública.

Na dica de leitura de hoje, apresentamos o estudo desenvolvido por Helci Ferreira Ramos, Bernard Silva de Oliveira, Lindomar Guedes Freire Filha, Valéria Lima da Silva, Fabrizia Gioppo Nunes, Elaine Barbosa da Silva e Paulo César de Castro Lopes, com título Geotecnologia acessível: uso de ferramentas gratuitas de Análise Espacial aplicada ao monitoramento do crescimento urbano e a supressão de áreas verdes em Goiânia-GO.

Fonte: http://marte2.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/marte2/2025/08.15.02.54.09/doc/@individualPDF.pdf

A escolha desse artigo teve como objetivo apresentar um exemplo aplicado de Geotecnologias voltado para estudos ambientais, demonstrando como a Análise Espacial pode apoiar a avaliação de impactos, o mapeamento de áreas sensíveis e a tomada de decisão com base em dados geográficos.

Essa pesquisa buscou compreender como o avanço urbano desordenado em Goiânia, Goiás, tem afetado a dinâmica ambiental do município, especialmente pela redução das áreas verdes. O estudo analisou consequências como a intensificação das ilhas de calor, a piora na qualidade do ar e a diminuição da biodiversidade urbana.

Também foi conduzida uma análise temporal da expansão da ocupação do solo entre 1985 e 2023 com o uso de ferramentas gratuitas com o software QGIS e a plataforma Google Earth Engine.

A pesquisa adotou uma metodologia baseada na aquisição, processamento e análise de dados geoespaciais por meio de técnicas de sensoriamento remoto e geotecnologias gratuitas. Foram utilizados dados do MapBiomas, acessados via Google Earth Engine, assim como do Sistema Estadual de Geoinformação de Goiás e do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento.

O processamento e a elaboração dos mapas de uso e cobertura do solo para os anos de 1985, 1995, 2005 e 2023 foram realizados no QGIS e no ArcGIS.

O fluxograma a seguir apresenta um resumo da metodologia indicando as etapas de aquisição, processamento e análise espacial dos dados.

Fonte: http://marte2.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/marte2/2025/08.15.02.54.09/doc/@individualPDF.pdf

 

Os resultados apontaram que a expansão urbana de Goiânia entre 1985 e 2023 foi intensa, alcançando 75,77% do território municipal e reduzindo de forma significativa as áreas verdes. O crescimento ocorreu em diferentes períodos, com incrementos expressivos de área urbanizada, inclusive sobre regiões de recarga hídrica do Rio Meia Ponte.

A supressão da vegetação aumentou de 30,47 km² em 1995 para 66,92 km² em 2023, contribuindo para o agravamento das ilhas de calor, da poluição do ar e da perda de biodiversidade.

O estudo destacou que o crescimento desordenado intensificou problemas ambientais e sociais, reforçando a importância do monitoramento por meio de ferramentas gratuitas como o QGIS e o Google Earth Engine para apoiar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento urbano sustentável.

Fonte: http://marte2.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/marte2/2025/08.15.02.54.09/doc/@individualPDF.pdf

A conclusão indicou que o crescimento urbano de Goiânia foi acelerado e resultou na ocupação da maior parte o do território municipal, com redução significativa das áreas verdes e agravamento de impactos ambientais.

Além disso, o estudo reforçou a necessidade de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável, com apoio de ferramentas gratuitas como o QGIS e o Google Earth Engine para monitorar e planejar a expansão urbana, aliando crescimento econômico e preservação ambiental.

Pense nisso…

Você já parou para analisar como a Análise Espacial no QGIS pode transformar dados em decisões concretas? Neste estudo sobre o crescimento urbano de Goiânia, as ferramentas gratuitas de geoprocessamento mostraram que a expansão da cidade ocupou 75,77% do território e reduziu de forma expressiva as áreas verdes.

Os números não surgiram por acaso. Eles foram resultado de cruzamentos espaciais, análise temporal do uso do solo e interpretação de dados do MapBiomas com apoio do QGIS e do Google Earth Engine.

Agora reflita sobre o seu contexto.

  • Você está usando o SIG apenas para produzir mapas ou para gerar diagnósticos técnicos?
  • Você analisa mudanças ao longo do tempo ou trabalha com recortes estáticos?
  • Você cruza dados ambientais com dados urbanos para identificar impactos reais?

 

O estudo apresentado reforça um ponto direto. Ferramentas gratuitas são suficientes para produzir análises consistentes. O diferencial está no método, na organização das etapas e na interpretação crítica dos resultados.

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Anderson Medeiros

Graduado em Geoprocessamento pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB). É o autor do site https://clickgeo.com.br que publica regularmente, desde 2008, artigos dicas e tutoriais sobre Geotecnologias, suas ferramentas e aplicações.
Em 2017 foi reconhecido como o Profissional do ano no setor de Geotecnologias. Atua na área de Geoprocessamento desde 2005.

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Sobre Anderson Medeiros

Ele já foi reconhecido como o Profissional do Ano no Brasil no setor de Geotecnologias. Graduado em Geoprocessamento, trabalha com Geotecnologias desde 2005. Já ministrou dezenas de cursos de Geoprocessamento com Softwares Livres em diversas cidades, além de outros treinamentos na modalidade EaD. Desde 2008 publica conteúdo sobre Geoinformação e suas tecnologias como QGIS, PostGIS, gvSIG, i3Geo, entre outras.

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