Qual é a diferença entre Datum e Projeção Cartográfica?

Se você trabalha com QGIS, cedo ou tarde vai enfrentar um problema clássico: camadas que não se encaixam, pontos que aparecem fora do lugar ou que dados ficam deslocado alguns metros ou até quilômetros. Na maioria dos casos, o problema está no Sistema de Referência Espacial utilizado.

Um erro frequente entre iniciantes no Geoprocessamento é focar apenas na parte operacional do software e deixar de lado os conceitos que sustentam as análises espaciais. A pessoa aprende a executar ferramentas, mas não entende o que está por trás de cada procedimento.

Sem base teórica, quando surge um problema, como deslocamento de dados, distorção no cálculo de áreas ou diferenças nas medidas de distância, o usuário não consegue identificar a origem do erro nem corrigir a causa.

Por isso, no artigo de hoje, você vai entender de forma clara dois conceitos ligados ao Sistema de Referência Espacial: Datum e Projeção Cartográfica.

Para iniciar esse tema, você precisa revisitar um conceito aprendido na escola. No ensino básico, é comum dizer que a Terra tem formato esférico, no entanto essa simplificação é apenas para introdução do conteúdo, e não representa a forma real do planeta.

A Terra não é uma esfera, na verdade ela possui um formato irregular, com pequenas variações causadas pela rotação, distribuição de massa e diferenças na superfície.

Fonte: https://atlasescolar.ibge.gov.br/cartografia/21729-formas-da-terra.html

Essa superfície é complexa para ser representada matematicamente. Por isso, os geocientistas adotam modelos simplificados para viabilizar os cálculos de posicionamento na superfície terrestre.

Em vez de trabalhar com a forma real e irregular do planeta, eles utilizam superfícies de referência. As duas principais são o geoide e o elipsoide.

  • Geoide: É a superfície de referência física da Terra. Pode ser definida como a superfície equipotencial do campo gravitacional terrestre que coincide com o nível médio dos mares em condição não perturbada.
  • Elipsoide de Revolução: Consiste na superfície de referência geométrica da Terra. É obtida a partir da rotação de uma elipse em torno do seu eixo menor, formando um sólido chamado elipsoide de revolução. Essa superfície é utilizada principalmente para o cálculo das coordenadas geodésicas.
Fonte: https://atlasescolar.ibge.gov.br/cartografia/21729-formas-da-terra.html

 

Agora que você entendeu esses conceitos iniciais, vamos retomar o foco deste artigo.

O que é Datum?

Datum é o referencial geodésico adotado para definir a forma, a posição e a orientação da Terra. Ele permite calcular coordenadas como latitude, longitude e altitude com precisão. Esse sistema de referência adota uma figura geométrica que representa a Terra e a posiciona no espaço. Assim, cada ponto pode ser identificado por coordenadas tridimensionais. Ele é materializado por estações geodésicas que servem como base para novos levantamentos e posicionamentos. No Brasil, o Datum oficial é o SIRGAS 2000.

Fonte: https://geoftp.ibge.gov.br/metodos_e_outros_documentos_de_referencia/outros_documentos_tecnicos/apresentacoes_artigos/CP_SIRGAS_POSTER%202011a2012__FINAL.pdf

 

O que é Projeção Cartográfica?

A Projeção Cartográfica é uma técnica que permite representar a superfície curva da Terra em um plano, como uma folha de papel ou a tela do computador. Como essa transformação envolve passar de uma forma tridimensional para uma bidimensional, sempre haverá algum tipo de distorção.

Nesse processo, há perdas e compensações. Cada projeção prioriza determinadas propriedades, como:

  • Preservar áreas (equivalentes).
  • Preservar direções (conforme).
  • Preservar distâncias (equidistantes).

 

Nenhuma delas consegue manter todas essas características ao mesmo tempo.  Por isso, deve-se selecionar a projeção mais adequada ao objetivo do mapa ou da análise. A escolha correta reduz distorções nas feições e garante resultados mais consistentes.

Fonte: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101675.pdf

 

No Brasil, as projeções mais utilizadas são:

  • Projeção policônica: Apropriada para áreas que possuem extensão predominantemente norte-sul e com menor extensão leste-oeste.
  • Projeção Universal Transversa de Mercator (UTM): Divide a Terra em 60 fusos de 6º de longitude. Cada fuso possui coordenadas em metros, o que facilita cálculos de distância e área. A origem do sistema é na interseção entre o Meridiano Central do fuso e a Linha do Equador.
Fonte: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101675.pdf

Referências

IBGE. Acesso e uso de dados geoespaciais. Rio de Janeiro: IBGE, 2019. CLIQUE AQUI PARA ACESSAR

Nota Técnica: Término do período de transição para adoção no Brasil do Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (SIRGAS), em sua realização de 2000,4 (SIRGAS2000), publicada em 2015. CLIQUE AQUI PARA ACESSAR

IBGE. Atlas Geográfico. 9 ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. CLIQUE AQUI PARA ACESSAR

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Anderson Medeiros

Graduado em Geoprocessamento pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB). É o autor do site https://clickgeo.com.br que publica regularmente, desde 2008, artigos dicas e tutoriais sobre Geotecnologias, suas ferramentas e aplicações.
Em 2017 foi reconhecido como o Profissional do ano no setor de Geotecnologias. Atua na área de Geoprocessamento desde 2005.

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Sobre Anderson Medeiros

Ele já foi reconhecido como o Profissional do Ano no Brasil no setor de Geotecnologias. Graduado em Geoprocessamento, trabalha com Geotecnologias desde 2005. Já ministrou dezenas de cursos de Geoprocessamento com Softwares Livres em diversas cidades, além de outros treinamentos na modalidade EaD. Desde 2008 publica conteúdo sobre Geoinformação e suas tecnologias como QGIS, PostGIS, gvSIG, i3Geo, entre outras.

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