Geoprocessamento aplicado ao Planejamento Urbano

O Geoprocessamento aplicado ao Planejamento Urbano permite que você analise o território com base em dados concretos, nele você cruza dados sobre população, infraestrutura, mobilidade e uso do solo. No contexto do planejamento urbano, o Geoprocessamento ajuda você a:

  • Mapear áreas de expansão urbana.
  • Identificar vazios urbanos.
  • Elaborar o zoneamento da cidade.
  • Avaliar acesso a equipamentos públicos.
  • Planejar novas vias.
  • Analisar áreas de risco.

 

Na dica de leitura de hoje, apresentamos a pesquisa desenvolvida por Maurício Rizzatti, Natália Lampert Batista, Pedro Leonardo Cezar Spode, Romario Trentin, Eduardo Augusto Werneck Ribeiro e Cezar Augusto Crummenauer, com título Desenvolvimento de Cadastro Multifinalitário de baixo custo e plataforma web para sua atualização: contribuições de softwares livres e geotecnologias no planejamento territorial.

Este trabalho apresenta uma metodologia para implantar um Cadastro Territorial Multifinalitário de baixo custo com uso de softwares como QGIS,  QField e PostGIS, além de tecnologias geoespaciais como aerofotogrametria, digitalização e vetorização de mapas e uso de bases de dados espaciais integradas com a representação cartográfica.

A proposta do trabalho foi facilitar o planejamento territorial e a atualização contínua dos dados por meio de uma plataforma web, para isso foram utilizadas linguagem de programação como Python, HTML, CSS e JavaScript .

O estudo foi aplicado no Distrito de Vale Vêneto, no município de São João do Polêsine, RS.

Fonte: https://journals.openedition.org/confins/56269

 

A metodologia baseou-se no uso de tecnologias geoespaciais de baixo custo e softwares livres para implantar e manter um Cadastro Territorial Multifinalitário, CTM.

Foram realizados levantamentos aerofotogramétricos com drones, com planejamento de voo no Drone Harmony e coleta de pontos de controle com GNSS. As imagens foram processadas no OpenDroneMap e georreferenciadas, permitindo a vetorização de lotes, vias e infraestrutura no QGIS.

Os dados vetoriais foram armazenados em banco de dados PostgreSQL com extensão PostGIS. Em seguida, foi desenvolvida uma interface web com Flask, Python, HTML, CSS e JavaScript para edição e consulta dos dados. Os mapas interativos foram publicados com Qgis2web.

A proposta integrou coleta, processamento, armazenamento e atualização contínua dos dados, com baixo custo e foco em municípios de pequeno porte. Mais detalhes podem ser observados no fluxograma a seguir.

Fonte: https://journals.openedition.org/confins/56269

 

Os resultados comprovaram a viabilidade da metodologia para desenvolver um Cadastro Territorial Multifinalitário de baixo custo.

Com o uso de drones, OpenDroneMap, QGIS, QField e banco de dados PostgreSQL com PostGIS, a equipe gerou ortomosaicos e vetores de lotes, vias, postes e redes de drenagem. Também produziu mapas estáticos e interativos que representam os dados cadastrais de forma espacial.

A interface web facilitou a edição, visualização e atualização contínua das informações por diferentes setores da prefeitura. A integração entre o banco de dados e os mapas interativos garantiu que alterações feitas no sistema fossem refletidas de forma imediata na base e nos mapas.

A solução mostrou-se adequada para pequenas cidades ou distritos com restrições orçamentárias, pois reduz custos, permite reaproveitamento de dados e favorece atualizações frequentes, fortalecendo a gestão territorial.

Fonte: https://journals.openedition.org/confins/56269

A conclusão reforça que as tecnologias geoespaciais, quando combinadas com softwares livres, ampliam a capacidade de espacializar informações e organizar a gestão territorial. Esse modelo atende de forma direta municípios com restrições orçamentárias.

A metodologia integrou QGIS, QField, PostgreSQL, interface web com Flask e outras tecnologias web. O conjunto mostrou eficiência operacional, baixo custo de implantação e viabilidade para pequenas cidades e distritos. O sistema permitiu atualização contínua dos dados, maior precisão cadastral e mais autonomia técnica na administração do CTM.

Os autores destacam que a integração dessas ferramentas melhora o conhecimento sobre o território e fortalece o apoio à formulação de políticas públicas. A reutilização de dados e a facilidade de atualização mantêm o cadastro ativo e coerente com a realidade urbana, favorecendo uma gestão territorial mais organizada e participativa.

 

Pense nisso…

Se a sua cidade ainda depende de mapas em papel, planilhas isoladas ou cadastros desatualizados, qual é o impacto disso nas decisões públicas?

O estudo mostra que é possível estruturar um Cadastro Territorial Multifinalitário com baixo custo, usando softwares livres e organização técnica. Isso muda a forma como a prefeitura enxerga o território.

Pense nos seguintes pontos:

  • Seus dados urbanos estão integrados ou espalhados em setores diferentes?
  • As informações cadastrais são atualizadas com frequência?
  • Existe conexão entre o mapa e o banco de dados?
  • As decisões sobre zoneamento e infraestrutura se baseiam em dados espaciais consolidados?

 

Municípios pequenos costumam alegar falta de orçamento, no entanto, o trabalho apresentado demonstra que o problema nem sempre é recurso financeiro. Muitas vezes é falta de estrutura técnica e integração de ferramentas.

Planejamento urbano sem base espacial atualizada gera decisões imprecisas. Planejamento urbano com Geoprocessamento gera diagnósticos claros.

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Anderson Medeiros

Graduado em Geoprocessamento pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB). É o autor do site https://clickgeo.com.br que publica regularmente, desde 2008, artigos dicas e tutoriais sobre Geotecnologias, suas ferramentas e aplicações.
Em 2017 foi reconhecido como o Profissional do ano no setor de Geotecnologias. Atua na área de Geoprocessamento desde 2005.

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Sobre Anderson Medeiros

Ele já foi reconhecido como o Profissional do Ano no Brasil no setor de Geotecnologias. Graduado em Geoprocessamento, trabalha com Geotecnologias desde 2005. Já ministrou dezenas de cursos de Geoprocessamento com Softwares Livres em diversas cidades, além de outros treinamentos na modalidade EaD. Desde 2008 publica conteúdo sobre Geoinformação e suas tecnologias como QGIS, PostGIS, gvSIG, i3Geo, entre outras.

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